29.10.02

episódio de hoje: o almoço no remoso

numa ruazinha sem calçamento ao lado da reitoria tem um restaurante trimmmmassa. não tem nome, mas foi apelidado por nós graciosamente de remoso, devido à quantidade de cominho usada na hora de temperar o feijão e a carne. tudo tem cara de comida de vó. funciona no esquema de self service sem balança (isso mesmo, tu coloca no prato o quanto conseguir) e tu paga R$3,50 por isso. e ainda ganha uma jarra de suco.

hoje a gente foi almoçar lá (um perigo pra mim, que estive mal dos órgãos há uns dias) e vocês não imaginam o que tinha: sarapatel. e, tipo, você se serve à vontade, mas a carne quem coloca é a tia de bigode. você pode escolher até dois tipos de carne. eu fiquei tão louca quando vi o sarapatel, que só quis dele. diálogo entre eu e a tia de bigode que serve as carnes:

- eu quero só sarapatel.
- tá.
- er... o que é isso branco aqui?
- faz parte.

FAZ PARTE? puta merda. é melhor não saber. depois, os comentários na mesa eram do tipo "eu só consegui comer sarapatel e gostar no dia em que eu comi no escuro" ou "se eu comer sarapatel eu vomito, é sério". foi quando eu disse que amava buchada. é que foi uma das refeições mais sublimes que tive na vida, quando fui num sítio lá no cariri. a turma matou o bode naquela tarde e preparou o bucho direitinho, bem limpinho. então só confio nessas porcarias quando o bicho é criado solto e quando as tripas são bem tratadas, nunca nesses botecos de beira de hospital público. quando a turma hoje me disse que sarapatel era feito com a mesma porcaria da buchada, eu engulhei. não consegui terminar de comer. tudo que me veio à cabeça foi meus problemas de sexta feira, os vômitos e minha ameba estela. puta merda. aquela coisa branca e preta no meio de um molho escuro igual a esgoto, não consegui. chamem de frescura, do que for, mas eu não quero passar de novo pelo que passei sábado de manhã. e nem recomendo.

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