23.1.03

ah, eu amo as crianças!

ontem no jantar, enquanto eu pacientemente comia minhas panquecas, aparece na janela o pirralho gordinho, filho da vizinha lá da casa 16. neto do véio que tem o marca-passo, vale ressaltar (acho que, no futuro, o guri será mais obeso do que já é e provavelmente terá o mesmo fim do avô - que ainda não chegou ao fim mas todos sabem qual será). bom, o menino é, além de gordo, fêo pacaralho e adora arminhas de brinquedo, dessas horrendas que soltam água. e deve peidar ovo cru. bom, o guri gordo começou a perturbar na janela da minha própria casa, gritar, fazer barulhos esquisitos pra chamar minha atenção e na hora em que eu - burramente - olhava, ele se escondia. essa brincadeirinha idiota que todos nós já fizemos um dia. mas tenho certeza que nenhum de nós era tão medonho quanto esse menino. não tem uma lenda que todo filhote de mamífero é fofinho e meigo? esse foge à regra completamente e mais parece um gracioso filhote de coruja.

bom, o motim prosseguiu e mais criaças da vila se juntaram ao gordinho hediondo. foi quando tive A GRANDE IDÉIA. ui, como sou genial. disse a eles que se eles não parassem de perturbar minha sagrada hora da refeição noturna eu ia chamar O BICHO. um deles, o menor, me retrucou afirmando com veemência que não existe bicho. putz, na minha época existia bicho, essas crianças de hoje não acreditam em mais nada. continuei firme no lance do bicho, que ele era feio, grande e peludo. "tá, e por que ele não te pega?" perguntou o mesmo guri. e eu disse que é porque o bicho é meu amigo, que ele morava no quartinho lá de trás e que se eles continuasse a encher meu saco eu ia mandar o bicho transformá-los em espetinho. ok, consegui fazer com que eles fossem embora.

uns 15 minutos depois, fui lá fora procurar por folote e o mesmo pirralho pequeno que disse que bicho não existia me chamou no portão. ele, ofegante, disse que tava procurando pelo GATO MAU.

- hmm, gato mau?
- é, o gato mau. ele é grande, tem umas garras assim enooormes e toda vez bate no gato bonzinho.

deixa eu fazer um pequeno parêntese pra vocês entenderem um pouco da situação. cerca de duas semanas depois que trouxemos folote pra cá, apareceu na vila um gato cinza, desses típicos de rua, feio, magro, cabeçudo e com as orelhas maiores que tudo. e com o miado mais irritante e gasguito que eu já ouvi. a vizinha da frente, maíra, que adora gatos, resolveu adotá-lo. só que o gato vive aqui em casa, principalmente quando tou fazendo comida na cozinha. apelidamos o magriça de LÁ VEM, apesar dele se chamar CORISCO. gente, eu NUNCA tive raiva de gato nenhum do mundo, por mais doença, vermes, sarna ou falta de pata que ele tivesse. mas essa foi a primeira vez. bom, continuemos com a história.

- tá, e como é esse gato mau?
- eeeita, esse é o gato bonzinho!

adivinhem QUEM APARECEU? claro, o gato entrão.

- como é o gato mau? ele é branco?
- é, branco com preto.

fudeu, é folote.

- eu tou essas pedras aqui pra jogar no gato mau.

ih, fodeu, vai acabar com folote.

- não, não pode jogar pedra nele não! ele chora. e ele não é mau não, ele é bonzinho. ele mora aqui em casa, viu?

nessa hora o pai do pirralho chamou ele pra tomar banho. acabou-se o motim.

fui colocar comida pra folote e quem eu vejo lá, se deliciando com a ração top cat? ELE. tangi o gato pra fora do quartinho e entrei em casa. 10 minutos depois lá estava ele de novo comendo a comida de folote. e folote lá, parado, olhando, feilo uma mula manca. caralho, eu tive tanta, mais tanta raiva que dei uma surra na cabeça do gato que ele saiu rodando pelo quarto, correu pelo quintal e não voltou mais naquele dia. a raiva foi tão grande que sonhei na mesma noite que um gato siamês do tamanho de um DOBERMANN e muito gordo estava entrando aqui em casa pra comer a comida de folote.

acordei meio revoltada, pensando em dar um fim no gato magro. pensei primeiro em apagá-lo, mas ia sair muito na cara. pensei depois em colocá-lo num saco e jogá-lo na frente de um frigorífico. nunca mais ele sairia de lá. mas eu não sei se conseguiria mentir pra vizinha quando ela perguntasse se eu vi corisco por aí. mas, pô, que dá muita raiva dá. tem comida em casa não, é?

e agora, ao chegar em casa, pensem na minha surpresa ao ver pedras e corações de nego aos montes e juntinhas no portão daqui de casa. as crianças estão revoltadas com o gato mau! querem matá-lo. mas o pior foi chegar no quintal e encontrar corisco e folote sentadinhos, um do lado do outro me esperando chegar.

fudeu, o gato é daqui.

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