27.3.03

caralho, fiquei meio deprê depois de ver "roger & me" de michael moore. o filme é um documentário sobre o fim da fábrica da GM em flint, michigan e conta a saga de moore atrás de roger smith, o presidente da empresa, pra falar sobre as demissões em massa e coisital.

mermão, muito triste e cada vez mais comum de se ver hoje em dia aquelas cenas de gente sendo despejada, arrumando bicos pra sobreviver porque não consegue emprego. não existe mais garantia em nenhuma espécie de emprego e as pessoas tão se acostumando a viver na corda bamba sempre.

tem rolado um lance estranho nas contratações de algumas empresas. faz-se um contrato de três meses pra não haver vínculo empregatício e, dessa forma, não dar nenhum direito ao trabalhador. se a empresa quiser continuar com ele, um novo contrato de três meses. e assim segue, por anos (ou não), sem oferecer nenhuma garantia ao empregado.

na chesf, empresa onde estagiei por um ano, às vezes me achava mais beneficiada que os prestadores de serviços, que não eram funcionários da empresa. pelo menos me pagavam minha bolsa religiosamente no primeiro dia útil de cada mês e ainda recebia ticket alimentação. a chesf é uma empresa pública federal e como todas elas faz concursos de tantos em tantos anos. só que, claro, às vezes precisam de funcionários para trabalhos específicos, como era o caso, lá na imprensa, de jornalistas. e contratavam prestadores de serviços nessas condições que falei: sem vínculo empregatício, sem fgts, sem porra nenhuma e ganhando uma mixaria. eu, uma reles estagiária, recebia ticket de 7 conto pra ficar 4h lá (quase nunca precisava almoçar por ali) e o salário deles às vezes atrasava 15 dias. era muito estranho e muito constrangedor pra mim. mas elas pareciam muito felizes ali, pois ao contrário de muitos companheiros seus, estavam empregadas.

e é exatamente isso o que acontece. não se rejeita mais emprego hoje em dia porque o salário é baixo. a oferta é tão escassa que tem que segurar qualquer oportunidade como se você fosse a pessoa mais sotuda do mundo. isso é muito triste, mesmo. e mais triste é saber que o salário mínimo de hoje é 1/4 do valor que tinha há 40 anos.

eu não sei o que vai ser de mim daqui a cinco anos. em 2008 eu já vou estar com 28 anos, uma idade boa pra já ter algo fixo. não sei bem se nos dias de hoje dá pra se pensar assim. não sei o que estarei fazendo aos 28 anos, onde estarei morando, se terei filhos, marido, casa própria, emprego. não sei de absolutamente nada. as coisas mudam tanto a cada segundo mas se existe uma coisa que pra mim é uma fumaça turva é o futuro. tá, não me falem em morrer, ou sofrer qualquer acidente (natural ou não) porque não é disso que eu tou falando. é de coisas mais concretas, família, emprego, essas merdas que nossos pais já tinham aos 28 anos.

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