8.8.03

muita gente já conhece a história do dedeto, mas eu vou contar aqui pra quem não conhece.

o dedeto era meu lençolzinho do linus, aquela coisa que a maioria dos pirralhos têm e não largam nunca: um travesseirinho sujo, um boneco feio, uma fralda preta. no meu caso era o dedeto. o dedeto foi uma espécie de boneco que minha vó fez com restos de tecido e algum enchimento. acho que era pra ser tipo um coelho, porque tinha umas coisas assim saindo da parte de cima que pareciam orelhas de coelho, então supus ser um. e essa orelhas eu gostava de enfiar no nariz e cheirar. era prazer tão grande que eu não saberia explicar hoje em dia, mais de vinte anos depois. eu sei que eu vivia pra cima e pra baixo com o dedeto, enfiando no nariz e gozando de prazer.

obviamente, com o tempo, as orelhas do dedeto começaram a ficar pretas, sujas, de tanto enfiar no nariz e no olho. aí minha mãe teve a infeliz idéia de CORTAR as orelhas do dedeto. minha gente, pensem bem na frieza da minha mãe: pegar dedeto e simplesmente cortar fora suas orelhas, seu bem mais precioso. e o dedeto era, com suas orelhas, o meu bem mais precioso. claro que a situação ficou preta pra minha mãe. comecei a dizer que ela matou o dedeto, que ela era má, coisas do tipo. eu devia ter 3 anos no máximo, mas já sabia o que era amor (heheh). e meu amor foi assassinado. até hoje guardo mágoas de minha mãe por ter matado dedeto. eu queria tê-lo hoje comigo.

tá, esse drama todo foi pra postar essa foto, que eu considero a foto com criança mais sinistra que eu já vi (a foto, não a criança):



eu e dedeto

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