27.6.05

lama

acho que a sensação de ir no inferno e voltar, de crer que se está num pesadelo mesmo sabendo que não está acontece poucas vezes na vida da pessoa. eu não sou uma pessoa companheira de aventuras e pra completar o quadro, sou sedentária pra caralho. logo, nunca me chamem pra fazer trilha, andar quilômetros pra chegar numa cachoeira e voltar ou ir pras piscinas naturais de uma praia linda onde você tem que andar 8km, e nadar um monte. eu amo a natureza, mas ela lá e eu aqui. ou então, se tiver um jeito pouco cansativo de chegar até ela, tudo bem.

mas, mesmo assim, entrei numa fria nesse são joão. era noite em gravatá, eu e carlós inventamos de ir pra uruçu mirim, a poucos quilômetros de gravatá. subindo mais 500m e numa estrada de barro péssima. sem iluminação. já viu, né? acrescente aí que choveu no dia anterior e tinha poças e lama em alguns trechos. sem falar nas várias bifurcações da estrada - sem sinalização nenhuma. era um exercício de intuição. e um pouco de quem tem boca vai e arromba.

erramos o caminho uma vez, quase caímos de moto na lama. chorei, tive cãibra nos dedos do pé. tive vontade de deitar na estrada e dormir ao relento, de tanto ódio. mas conseguimos chegar, um dia. a estrada era só o farol da moto e as estrelas no céu. se desligasse o farol não se via um palmo a frente. muito escuro, muito medo, muito pesadelo demais aquilo. podia ser lindo mas não era.

acordei do pesadelo numa linda fazenda a 500m de uma cidade com rua asfaltada. tava frio pra caralho. minhas costas, pernas e punhos doíam, mas valeu a pena chegar lá. tinha fog. de manhã, a vista era realmente premiada. os montes verdinhos ali de cima, tudo com as nuvens passando. a geada às 7h30 da manhã. pisei em bosta de vaca e de cabra. vi os búfalos. são lindos, aqueles chifres chiquérrimos. pena não poder ficar uma semana só descansando ali.

são jão

hype

17.06.2005 | Comentando o verbete de ontem, alguém disse que o pessoal prefere falar Fashion Week porque em inglês o nome dessa quermesse superestimada, em que mulheres abaixo do peso desfilam roupas acima do preço, fica “mais hype”. Achei a explicação excelente, embora seu próprio autor não pareça ter compreendido inteiramente o alcance do que disse.

Do modo como é usada no Brasil, a palavra “hype” é a mais perfeita tradução de nossa anglofilia – espalhafatosa, cheia de deslumbramento mas, well, burrinha, coitada. Ao passar pela alfândega, hype fica quase irreconhecível: de substantivo vira adjetivo, e de palavra ácida, com conteúdo crítico, vira laudatória, festiva.

Em inglês, na acepção que vem ao caso aqui, hype quer dizer badalação excessiva, propaganda injustificada; histeria, zunzum ou falatório promovido com intenções comerciais em torno de um produto, modismo ou pessoa; engodo, mentira, fraude. Como se vê, é uma palavra funcional e, no atual estágio da cultura de massa, cada vez mais necessária para dar conta do mundo.

Entre nós é bem diferente: ser hype é simplesmente o máximo. Desaparece qualquer idéia de excesso ou mesmo picaretagem que o falatório possa ter e fica só a fama, o sucesso – fama e sucesso num certo grupo de eleitos, claro, e não com a massa. São Paulo, centro irradiador da palavra, vai na frente. “Marca hype anglo-brasileira de Londres estréia no SPFW”, dizia uma notícia do Uol há duas semanas, referindo-se ao São Paulo Fashion Week. “Pintar porcelana vira hype”, anuncia o blog da jornalista Erika Palomino. “Electro Hype Fair agrega conteúdo à megabalada”, apregoa o circunspecto “Estadão”. O Rio não quer ficar para trás e tem a Babilônia Feira Hype, que em parceria com o Viva Rio acaba de lançar a campanha “Ser Hype é Ter Responsabilidade Social”.

O mais curioso é que hype desempenha aqui exatamente o papel que, em inglês, cabe a uma palavrinha de grafia parecida, embora a pronúncia seja bem diferente: hip. Essa, sim, é um adjetivo e quer dizer, segundo o Webster’s, “sofisticado, esperto, ligado; que está na moda, cheio de estilo”. Coincidência? Não creio. Parece mais um caso clássico de ouvir o galo cantar ali e achar que foi mais adiante.

Há outras palavras que, ao serem importadas, passam por alguma deformação. Do ponto de vista estritamente lingüístico, isso é compreensível e até saudável. O estrangeirismo não deve fidelidade semântica ou gramatical à língua de origem. O falante o deforma porque, longe de ser um consumidor passivo de termos importados, é sujeito da sua própria linguagem, que fabrica com os ingredientes disponíveis sem se preocupar com a procedência.

Deve ser isso mesmo, embora me ocorra uma objeção, digamos, cultural que não tem merecido atenção suficiente: quanto de auto-estima rente ao chão, de ódio ao espelho precisa ter um sujeito para achar que um breakfast, só por ter esse nome, será sempre mais saboroso que um café da manhã?

Seja qual for a resposta, há na raiz do nosso uso de “hype” uma tontice que, por si só, pega meio mal: quem é hype, ou hip, não vacila assim.


fonte: a palavra é, do no.mínimo

22.6.05

* coça coça coça *

a tatuagem tá na fase de coçar, a cicatrização tá quase completa. a coceira é tanta que eu tava distráida e meti o unhão - quem mandou não usar a bandagem? e já tá na fase de sair pelinha também. as partes mais altinhas tão querendo largar e com a pele besuntada de vaselina é mais fácil passar o dedinho e sair a pelinha colorida. é massa ver a pelinha saindo, tão divertido quanto arrancar pedaços enormes de pele depois de se queimar no sol.

mas eu só queria que essa porra parasse de coçar um pouquinho.

medo



essa é a minha cara de tabacuda, ontem, testando o ipod.

21.6.05

eu queria...

... um ipod e um par de patins.

fiquei com inveja quando vi a propaganda do ipod na tv.

o ipod eu vou ter hoje de noite :)

alguém sabe onde vende patins daqueles antigos, sem ser o in line?

20.6.05

novela

Lique diz:
meu DEUS
Lique diz:
tá acontecendo a cena mais tosca da história da novela brasileira nesse momento
cecília diz:
ahahaha
cecília diz:
a novela das sete?
Lique diz:
primeiro capítulo da novela alma gêmea
cecília diz:
hahahha
cecília diz:
conta
Lique diz:
bah
Lique diz:
a mulher tava na cama do hospital
Lique diz:
e morre
Lique diz:
e o espírito sai
Lique diz:
e o cara chora
Lique diz:
e ela tá tipo
Lique diz:
passando a vida toda dela pela tela
Lique diz:
enquanto ela vai num vento
Lique diz:
em direção ao céu
Lique diz:
e quando ela vai dar de mão com deus
Lique diz:
o cara dá um grito mais desesperado
Lique diz:
e ela cai
Lique diz:
e começo a tocar carmina burana e tal
Lique diz:
e ela vai caindo
Lique diz:
e cai num limbo com escadas
Lique diz:
estilo escher
Lique diz:
só que de isopor
Lique diz:
e vai indo pra cima e pra baixo
Lique diz:
e não sabe praonde é a gravidade
Lique diz:
até que ela pula, tudo se quebra e ela cai num cachoeira tosca
Lique diz:
e renasce num índio bebê
Lique diz:
é isso.
Lique diz:
tudo em gráficos chapolin total

paranóia dos 25

faz dois meses que eu completei 25 anos e não tardou pra baixar em mim a paranóia da velhice, do precisar se cuidar, que a partir daí as coisas vão começar a cair e ficarem flácidas e velhas. beleza, eu sei que meu corpo não é mais o de uma adolescente nem minha pele agüenta tanto o tranco quanto antigamente. mas acho que a paranóia chegou pra arrombar.

eu tenho uma tia que tem 50 anos e parece ainda estar na casa dos 30. ela diz que isso se deve ao fato de ter começado a cuidar da pele com vinte e poucos anos, mas eu sei que é culpa da genética. tudo bem, ela é bonita e vai sempre aparentar ser pelo menos dez anos mais jovem, mas não sei até que ponto isso foi obra dos cosméticos.

bom, confiando ou não, resolvi seguir as dicas da minha tia cinqüentona, bonita e conservada e tou começando a me tratar. nunca fui de usar filtro solar no dia-a-dia e hoje tou usando sempre que saio de casa, mesmo nesse período de chuva. fps 30 da o boticário, anotem meninas, é ótimo pra quem tem pele oleosa ou mista porque é uma loção super levinha e seca rapidamente. e ainda tem um complexo hidratante que completa o processo de cuidado.

ainda comprei um hidratante pro rosto pra usar à noite depois do banho.

aí resolvi ir na dermatologista pra ver o lance das estrias, as velhas estrias esquecidas de outrora. eu sei que estria não tem solução, mas as opiniões são tão controversas que acho que não custa nada tentar, né? sem falar que elas são vermelhas, as estrias jovens mais fáceis de amenizar. e prevenção nunca é demais: óleo de amêndoas ou algum hidratante com o óleo em questão. de quebra, a doutora ainda passou sabonete facial, loção hidratante com complexo rejuvenecdor para o corpo e um creme com filtro solar pro rosto. calma, um de cada vez.

e pra terminar, encomendei na revistinha da natura um gel para a área dos olhos, redutor de bolsas e olheiras, grande problema meu. eu sei que é aí onde vão aparecer as primeiras amigas rugas, eu sei. custa nada começar a cuidar.

o fato é que tou gostando dessa rotina de passar filtro solar, lavar o rosto 3 vezes ao dia e passar hidratantezinho. a pele fica tão macia e cheirosa que eu fico toda satisfeita. bom, mas esses dias eu meio que esqueci, porque tou com outra criança pra cuidar, a tatuagem nova.

a tatuagem

pois é. fiz outra tatu, depois de mais de três anos sem fazer um único furinho. é um miró (vão se fuder todos os que lembraram de alguém com um miró tatuado) no ombro/braço e tá linda. simone tirou fotos do processo. simone também fez tatuagem. a menina foi corajosa que só, ficou toda quietinha o tempo todo, até simulou um cochilo. uma forte candidata ao vício. simon, tamos aí nas próximas! a dela ficou a mais linda de todas, o poema de maiakóvski, e renato é foda.

16.6.05

moreno

29.05.05 07:59

+558191010843

oi meu moreno bom dia


03.06.2005 07:46

+558191010843

oi meu moreno meu corpo te chama


03.06.2005 19:20

+558191010843

oi filé quero que voce faça comigo tudo, quero que voce coloque na minha buceta, na minha bunda e na minha boca até goza.

15.6.05

agora

eu espirrei uma bolinha necrosada*.




* nome dado à bolinha amarela, dura e fedorenta a carniça que fica na garganta e, vez por outra, colocamos pra fora, através da tosse ou do espirro. não tente espremê-la com os dedos porque o fedor fica por dois dias seguidos. e não adianta lavar a mão.

7.6.05

TPM

aos que dizem que tpm é lenda, psicológico ou qualquer coisa que só existe no imaginário feminino, morram. nasçam com buceta e peitos pra saberem o que é isso.

minha mãe não tem mais, mas sabe exatamente quando acontece comigo.

dizem que mulheres que passam muito tempo juntas acabam menstruando juntas. eu morei minha vida com uma mulher que não menstrua mais, mais de dois com dois homens que nunca menstruaram e quase um ano com duas mulheres nas cntp. só que as três tomavam pílula anti-neném e isso acaba decidindo quando o boi aporta e quando a tpm abala. mas mesmo assim, acho que rolava uma sintonia, algo mais forte, que acabava deixando todo mundo tenso de uma vez.

agora eu voltei a morar com a minha mãe, que não menstrua, mas sabe quando eu vou menstruar. e me revolta os homens ao meu redor que não entendem a minha vontade de matar, de chorar, de ter um filho em determinado periodo do mês. acham simplesmente que é mais uma explosão do meu humor pouco agradável ou do meu gênio ruim.

gente, até mulheres muito legais e amáveis ficam chatas uma vez por mês, podem acreditar.

e a ansiedade faz cecília voltar a comer chocolate. até inventei de fazer um brownie em casa. não tinha fermento. virou uma casca de bolo de meio centímetro, concentrada e gostosa. comi metade, mesmo sabendo que dali a algumas horas eu estaria num rodízio de sushi, podendo comer o quanto eu bem entendesse. no meio do caminho, me arrependi do brownie, mas até que não fiz feio no japs. quando chegou a última rodada, ninguém agüentava mais nada, eu queria chorar de desespero, pedir cessa.

hoje passei o dia com um soco no estômago. e tou abusada. e nem é tpm.

2.6.05

CRAZY LABELS

muito bom!

SENHORA BATATA

acho que eu devia me enterrar logo. quando o sol é de rachar, eu reclamo e digo que não quero sair de casa. agora que o céu tá caindo de tanto chover, eu reclamo e digo que não quero sair de casa. hoje, particularmente, foi foda. só consegui vencer a preguiça e encarar a chuva de 14h30. antes, fiquei vendo os pobres leões lutando para sobreviver no discovery channel.