13.10.08

o táxi mais velho do mundo, te juro

aí, né, pessoa sai do dentista em direção ao ponto de ônibus e o tempo começa a ficar feio. decido que é mais sensato pegar um táxi, né? vai que cai aquela tromba d'água no meio do caminho pra parada e eu sem guarda-chuva, já viu o drama.

aí avisto um ponto de táxi. a etiqueta dos taxistas diz que o primeiro da fila é o táxi da vez, de modo que o passageiro tem que andar quilômetros até o começo da fila pra pegar o primeiro táxi, porque taxista nenhum vai fazer feio e deixar o colega na mão. claro que não. aí, cecília vai e pega o primeiro táxi. um fiat daqueles quatro portas, 1992, caindo aos pedaços. motorista gordo que ocupa sua cadeira mais o lugar da marcha. e do freio de mão. ok, vamos lá.

o carro começa um teco teco teco e ele acelera até nos sinais vermelhos pro carro não morrer. ok, vamos chegar inteiros ao destino, tenho fé. carro morre em pleno cruzamento da av. agamenon magalhães. motorista começa a suar. cecília calada observando o decorrer dos acontecimentos. carro pega de novo. motorista sempre acelerando pro carro não parar - pobrezinho só não sabe que dia desses o carro vai simplesmente desmontar assim no meio da rua e ele vai ter que voltar pra casa feito fred flintstone.

aí um determinado momento carro morre novamente e quando motorista consegue ligar o teco teco teco fica ainda mais alto que parece que tem alguém batendo embaixo. motorista mantém a calma e finge que liga pro mecânico:

- opa, fulano, o carro tá horrível. tou aqui deixando uma cliente perto da oficina, já passo por aí, me espera tá, obrigado.

isso numa ligação daquelas de novela, em que a pessoa mal dá tempo da outra falar. péssimo ator, o tal taxista, hein?

consigo chegar sã e salva na firma, motorista não tem troco pra 50. corrida deu 12 realezas, tenho 7. ele diz que fica com os 7 e vem buscar os outros 5 mais tarde.

uma hora mais tarde, interfonam da recepção:

- dona cecília, a senhora pediu um táxi?
- não.
- tem um taxista aqui embaixo.
- ah, deve ser o que eu fiquei devendo dinheiro. passe pra ele aí, por favor.
...
- pois não.
- oi, eu pedi pro senhor vir mais tarde pra eu poder trocar o dinheiro. tou sem dinheiro trocado aqui, não tive tempo de fazer isso nessa uma hora que se passou.
- ah, como a gente faz então?
- ahn... pera, vou ver se consigo 5 reais aqui.

difícil essa vida, gente. noção nenhuma no amigo taxista que deu vontade de chamar ele no cantinho e bater um papo, alertar pra vida, fazê-lo acordar. mas deixa isso prum ser humano mais humano do que eu.

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