6.11.08

sra. tarta

e ontem foi aquele dia que você nunca esquece. não porque foi o dia do seu casamento civil, mas pela surrealidade (existe? ok, licença pro neologismo básico). acordei tipo 5h50 da manhã sem sono algum, aí fui remelando pro computador tentar tomar um potinho de iogurte de 30 calorias. mais desperta, fui tomar banho pra ir pro trabalho. já tava de calça e camiseta quando lembrei que ia pro fórum casar logo mais. e, poxa, pelo menos uma roupa que não seja a de todo dia do trabalho, né? aí botei um vestido. um vestido normal, cinza, lindinho que semira fez. e fui trabalhar.

aí que eu tava organizando também uma festa que aconteceria logo mais às 21h, então foi uma manhã de trabalho, telefonemas e resolução de pequenos pepinos. e meio dia estava eu lá no fórum. já começou esquisito porque maciel salu estava tocando no hall do fórum. tipo, uma banda, com barulho reverberando por todo o prédio. e o auditório onde aconteceria os casamentos todos do mundo inteiro é exatamente em cima desse hall. ok, vai ser no mínimo curioso casar ao som de maciel salu, né?, pensei.

então o auditório, o evento à parte. mulheres vestidas de noiva. juro por deus, tinha uma que até véu tinha. coques e maquiagens e roupas. e a família toda junto, né? fotógrafos decadentes urubuzando pra tirar fotos junto da bandeira de pernambuco (medo) ou junto da porta doirada (medo maior) ou da parede de mármore (ugh) do auditório. e o buruçu começou a aumentar, mais gente a chegar e não havia espaço pra aquela humanidade toda. pessoas se amontoando na frente, sentando na cadeira do juiz, menino chorando, me senti naqueles casamentos comunitários que rolam no geraldão, onde a mixórdia casa de graça.

maciel salu termina de se apresentar e começa um grupo de frevo. com dançarinos e toda a parafernália carnavalesca junto. e recebemos a notícia de que o juiz não ia casar ninguém com aquele barulho. e as pessoas foram saindo pra casar onde? na sala do juíz. isso, uma sala com mesa, cadeiras e pessoas trabalhando, foi ali que eu casei. tinha que ser comigo, né? claro.

aí aquela falação toda, o juiz pergunta se é de livre e espontânea vontade que estávamos ali, pensei em brincar dizendo que não, fui obrigada pelo meu seqüestrador a casar com ele senão ele me deixaria uma semana sem comer e arrancaria minhas unhas com alicate. mas achei que ele já tava chateado por demais com o grupo de frevo e só disse que sim. então foi isso, saí dali com uma certidão verde e casada perante a lei.

a dúvida que sempre surge: mas tu é casada desde março porque só agora vocês resolveram casar no civil? simples, porque eu sou cecília e tenho um problema genético chamado leseira de pai e mãe e perdi minha certidão de nascimento. sim, eu não tinha certidão de nascimento. e do dia que notei isso até conseguir fazer outra se passaram 8 meses. é bom que é mais uma data pra ter motivo pra tomar uma cachaça ou sair pra comer num lugar caro.

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